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Da morte (política) de Miguel Albuquerque

Várias vezes, neste e noutros lugares, afirmei que Miguel Albuquerque estava politicamente morto - uma vez mais e para que ninguém se lembre de me fazer uma denúncia anónima por um homicídio que não aconteceu - no sentido figurado.

Após as recentes eleições regionais, já vieram alguns me pedir contas, ou simplesmente se meter comigo: afinal, dizias que estava morto e ganhou as eleições! Devias era pedir desculpa e perdão!

A relação pessoal que tenho com Miguel Albuquerque deriva do simples facto de anos atrás, termos sido oficiais do mesmo ofício e, como tal, termo-nos cruzado nos corredores dos tribunais e dirimido algumas questões dos nossos respetivos clientes. Mais tarde, trocamos algumas breves conversas, sendo ele Presidente da Câmara do Funchal e eu, mero cidadão, ou circunstancialmente, Chefe de Gabinete de um Secretário Regional. Tirando essas vezes, escassas vezes, encontramo-nos e trocamos algumas palavras de cumprimento e mera circunstância. De todos esses encontros, mantenho o tom civilizado e cordial das nossas conversas. Não terão sido o suficiente para nos considerarmos amigos, mas nunca proporcionaram qualquer sentimento de rancor ou despeito.

Com isto quero dizer que nada pessoalmente, me move contra Miguel Albuquerque. Todos os comentários que fiz são de caráter político (nunca partidário, porque as afiliações me causam urticárias diversas). E, como homem livre, nunca deixarei de emitir a minha opinião.

Isto posto e descansadas as almas que me chegaram a julgar um profeta alucinado e movido por ódios ou rancores pessoais, passo a explicar: Miguel Albuquerque, não obstante o resultado eleitoral obtido, continua “politicamente morto”!

Admito que, momentaneamente, ressuscitou.

Salvo o devido respeito pelos crentes (e seja-me perdoada a heresia de um agnóstico), Jesus Cristo ressuscitado, após 40 dias na Terra, subiu aos Céus, onde ficou à direita do Pai a olhar (parece-me que distraidamente) para o que cá se passava.

Não desejo a Miguel Albuquerque qualquer viagem, a curto prazo, para o Céu ou outro lugar. Quero apenas aproveitar a paráfrase para afirmar que, num curto espaço de tempo, deverá encontrar uma solução negociada com os seus adversários políticos e com os seus apoiantes internos, mais próximos ou mais distantes, que sirva o Futuro da Madeira: revisão do estatuto constitucional da Região, consequente revisão do estatuto político-administrativo e, fundamentalmente, da lei das finanças regionais.

Se tanto fizer, Miguel Albuquerque ganhará um lugar relevante na história desta Terra e poderá ir descansar, os longos anos que espero que ainda viva, na paz de Deus. Aí deixará de estar “politicamente morto” e viverá para sempre na memória do Povo destas terras da Madeira e Porto Santo.

João Cristiano Loja

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