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Chega recusa retirar cartazes após providência cautelar de Montenegro

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Foto Lusa

O presidente do Chega recusou-se hoje a retirar os cartazes do partido em que Luís Montenegro aparece ao lado de José Sócrates associado ao tema da corrupção e acusou o primeiro-ministro de conviver mal com a democracia.

"Este PSD e este primeiro-ministro têm sido um dos maiores símbolos, tal como José Sócrates também, da podridão do sistema e, por isso, não, nós não vamos retirar os nossos cartazes que evidenciam isso mesmo, que o sistema está podre e está corrupto", afirmou André Ventura.

O líder do Chega considerou que seria "inédito um tribunal" ordenar a retirada de 'outdoors' de um partido.

André Ventura falava aos jornalistas em Queluz (concelho de Sintra e distrito de Lisboa), minutos depois de o primeiro-ministro ter confirmado que entregou uma providência cautelar contra o Chega para a retirada dos cartazes em que aparece ao lado do ex-chefe do Governo socialista José Sócrates associado ao tema da corrupção.

O presidente do Chega indicou que, àquela hora, não tinha sido "notificado ainda de nenhuma ação judicial do primeiro-ministro" contra si ou contra o partido.

"Eu não sei o que é que a justiça vai determinar. Nós, como sempre, estamos à disposição e responderemos no tempo e no prazo que tivermos que responder, mas não deixo de notar que isto é grave, quer dizer, qual é o próximo passo, é pedir-nos para retirar 'posts' do Facebook e do Instagram? É querer controlar as nossas páginas das redes sociais? É querer decidir o que é que nós temos nos folhetos de propaganda do partido?", questionou.

O presidente do Chega acusou o primeiro-ministro e líder do PSD de "conviver mal com a democracia e com a liberdade".

Ventura afirmou também que Luís Montenegro "é o símbolo do sistema de corrupção", sustentando que "não é só muitas vezes por conduta própria, mas por conduta sobre terceiros, que ele se torna o símbolo dessa corrupção", e voltou a associar o primeiro-ministro a José Sócrates.

 "O PS e o PSD são hoje em dia, ao fim de 50 anos, na nossa perspetiva, o símbolo da corrupção que se instalou em todos os degraus da governação pública do país, nas freguesias, nas câmaras, no Governo Nacional, etc... e Montenegro é o atual primeiro-ministro e líder do PSD, ele é a expressão dessa corrupção", sustentou, recusando que os cartazes possam configurar difamação.

"Eu soube pelas notícias que tínhamos sido processados, eu respeito isso como um exercício de ação judicial, mas não respeito isso politicamente, porque significa que o primeiro-ministro não convive bem com a liberdade de expressão, não convive bem com a diferença de opinião", disse, referindo que Luís Montenegro "teve e continua a ter suspeitas graves sobre a sua pessoa, que não quis explicar".

Nos cartazes aparecem fotos de Luís Montenegro e José Sócrates, com a inscrição: "50 anos de corrupção, é tempo de dizer Chega".

O presidente do Chega, acompanhado pela deputada e candidata do partido à Câmara Municipal de Sintra, Rita Matias, e também por deputados e dirigentes, esteve hoje em Queluz, onde contactou com comerciantes e cidadãos que se encontravam na rua. Inicialmente, esteva prevista uma visita ao mercado daquela zona, mas encontrava-se encerrado.

André Ventura alegou que aquela é uma zona insegura e aproveitou para comentar os dados provisórios do Relatório Anual de Segurança Interna, que apontam um crescimento da criminalidade violenta.

O líder do Chega falou num "aumento brutal da criminalidade grave e violenta, no último ano" e defendeu que "afinal, não eram só perceções", insistindo em fazer uma relação com a imigração.

Ventura exigiu também explicações e medidas às ministras da Justiça e da Administração Interna, bem como ao primeiro-ministro.

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