Itália defende solução de dois Estados mas rejeita reconhecer para já Palestina
Itália continua a defender a solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano, mas rejeita para já reconhecer o Estado palestiniano, considerando que tal seria "uma mensagem hostil a Israel", disse hoje o chefe da diplomacia italiana.
De visita a Ashod, em Israel, para participar numa cerimónia de receção da ajuda doada por Itália ao Programa Alimentar Mundial no âmbito da iniciativa "Food for Gaza" ("Alimentos para Gaza"), Antonio Tajani, ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro italiano, lembrou que Roma apoia a solução de dois Estados.
"O nosso objetivo é e continua a ser o horizonte de dois Estados para dois povos", afirmou Tajani numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo israelita, Gideon Saar, frisando ainda que "qualquer outro passo seria errado e contraproducente".
Ao lado de Gideon Saar, Tajani acrescentou, no entanto, que Itália "não pode reconhecer a Palestina porque, enquanto Estado, ela não existe, e reconhecê-la agora seria apenas uma mensagem hostil a Israel".
E defendeu ser necessário que haja antes uma "reunificação" da Cisjordânia e que "o Estado palestiniano recém-nascido reconheça Israel", que este seja "também reconhecido por Israel".
As declarações de Tajani surgem poucos dias depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado um plano para os Estados Unidos assumirem o controlo da Faixa de Gaza, propondo a reinstalação de toda a população do enclave palestiniano para países vizinhos, nomeadamente Jordânia e Egito.
Após a entrada em vigor do cessar-fogo na Faixa de Gaza entre Israel e o grupo extremista palestiniano Hamas, a 19 de janeiro, Telavive desencadeou uma ofensiva militar contra a Cisjordânia ocupada, a norte, que começou em Jenin e se alastrou às vizinhas Tamun e Tulkarem.