O que ainda não foi dito sobre o Novo Acordo Ortográfico
O Novo Acordo Ortográfico foi ratificado por Portugal em 13 de Maio de 2009 e começou a ser usado oficialmente pela Assembleia da República a partir de 1 de Janeiro de 2012. Este acordo foi proposto inicialmente pelo Presidente do Brasil, José Sarney de Araújo Costa, em 1986.
As objeções e as críticas a que este acordo tem dado origem e os protestos apresentados por inúmeras figuras políticas, públicas e até mesmo científicas são sobejamente conhecidas do grande público. Doloroso é constatar que, hoje, esses protestos parecem ter morrido na praia. E é pena. Porque tinham e têm razão de existir.
As cedências à ortografia brasileira são por demais evidentes para que possam passar despercebidas. E aqui é talvez pertinente acrescentar que nem a França, nem a Inglaterra nem a Espanha adaptaram o seu vocabulário ou a sua escrita a qualquer outra ex-colónia.
Além das inúmeras incongruências linguísticas apresentadas pelos especialistas, resta ainda chamar a atenção para um ou outro aspecto “inconfessável” ou politicamente incorrecto:
Um exame cuidadoso à pronúncia do português nas nossas ex-colónias em África mostra uma semelhança inequívoca à pronúncia brasileira. Não é, portanto, difícil estabelecer um paralelo entre o português falado nesses países africanos e a língua falada no Brasil. No que diz respeito à língua escrita, e até mesmo à falada, é igualmente óbvia a existência de uma relação estreita entre os erros gramaticais normalmente cometidos por africanos de expressão portuguesa e os que se cometem no Brasil. De facto, verificamos a mesma tendência para suprimir os artigos definidos, os artigos possessivos, o plural de muitas palavras, a omissão da segunda pessoa do plural dos verbos, a par de muitas outras afinidades. Basta o leitor ouvir falar um angolano ou um moçambicano, por exemplo, e comparar com o brasileiro coloquial ou escrito para ficar esclarecido sobre o que afirmo.
É igualmente visível que a ortografia portuguesa, com o novo acordo, se afasta consideravelmente da escrita de muitas outras línguas europeias.
Que o leitor tire as ilações que julgar adequadas do que aqui fica dito.
Certo é que, pesando todos estes aspectos, e o que já foi dito por outros talvez mais doutos, fica absolutamente claro que o Novo Acordo Ortográfico está ferido de morte e que nunca deveria ter entrado em vigor.
Asdrúbal J. C. Vieira