Von der Leyen pede "mentalidade de urgência" na defesa da UE e Costa quer empenho na paz
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu hoje uma "mentalidade de urgência" sobre defesa na União Europeia (UE), enquanto o presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu um "papel central" comunitário nas negociações de paz.
No dia em que alguns líderes europeus se reúnem em Paris para uma reunião informal sobre a segurança da Europa e a propósito dos quase três anos de guerra da Ucrânia, Ursula von der Leyen disse numa mensagem na rede social X esperar que, neste encontro organizado pela Presidência francesa, haja "conversações cruciais", quando já se fala em negociações para o fim do conflito em território ucraniano.
"A segurança da Europa está num ponto de viragem. Sim, tem a ver com a Ucrânia - mas também tem a ver connosco. Precisamos de uma mentalidade de urgência, precisamos de um aumento da defesa e precisamos de ambas as coisas agora", advogou a líder do executivo comunitário.
Também através do X, António Costa indicou que participará nesta reunião convocada em Paris por Emmanuel Macron, para consultas entre europeus, com a presença da UE e da NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte], sobre a situação na Ucrânia e sobre a segurança da Europa.
"Este é o início de um processo que continuará com a participação de todos os parceiros empenhados na paz e na segurança na Europa. A UE e os seus Estados-membros desempenharão um papel central neste processo", frisou o líder da instituição que junta os chefes de Governo e de Estado da União.
Os líderes de oito países europeus, os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, participam hoje numa reunião promovida pelo Presidente francês sobre a Ucrânia e segurança na Europa.
O objetivo é dar início a consultas entre os líderes da UE sobre a situação na Ucrânia e as questões de segurança na Europa, incluindo também parceiros europeus.
A iniciativa do Presidente francês, Emmanuel Macron, juntará chefes de Governo e de Estado da Alemanha, Reino Unido, Itália, Polónia, Espanha, Países Baixos e Dinamarca e visa uma tomada de posição na UE face aos avanços dos Estados Unidos para conduzir negociações que ponham fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Os esforços para este consenso na UE - principal financiador militar e financeiro da Ucrânia, juntamente com os Estados Unidos - surgem quando a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, tenta rapidamente mediar o fim dos combates, três anos após a invasão russa.
A pressão do Presidente dos Estados Unidos por um fim rápido para a guerra da Ucrânia já gerou preocupação na UE, com a diplomacia comunitária a salientar não ser possível chegar a um acordo sem europeus ou ucranianos e a defender um lugar na mesa de negociações.
Na semana passada, após um telefonema com o Presidente russo, Vladimir Putin, Donald Trump disse que os dois deverão reunir-se em breve para negociar um acordo de paz.
Mais tarde, Trump garantiu ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que também teria um lugar à mesa, mas as autoridades norte-americanas têm vindo a indiciar que a UE não estará envolvida.