Entre a pessoa e a sua personagem
Esta vontade extrema, de em tudo agradar a todos, começa a dar sinais evidentes de cansaço
Vivemos um tempo onde as personagens substituem as pessoas tornando-as hospedeiras das suas criações e ambições. Na política, nos negócios, nas redes sociais, e nos lugares comuns o mais fácil é construir a pessoa que se quer apresentar. Existem estratégias, equipas, especialistas e, cada vez mais, uma enorme experiência na representação e na venda da imagem que se pretende promover. Do mais básico ao mais elaborado a personagem ganha lugar à pessoa e, no grande palco onde tudo acontece, a grande questão é o sentido da identidade. A verdade começa a ser questionável. Quem se apresenta ou nos apresentam é o produto de uma imagem trabalhada, construída e assumidamente orientada para um qualquer objetivo. Estamos perante um movimento de baixa criatividade que estimula a preguiça e o “fast food” das ideias e dos comportamentos.