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Pluralismo é inexistente nas ditaduras e "essencial" nas democracias, alerta Marcelo

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O presidente da República começou por saudar os capitães de Abril, dirigindo-se, depois, aos que "preferiam que o 25 de Abril não tivesse existido". "A esses há que dizer que o tempo não volta para trás", frisou, argumentando que o Estado Novo que os referidos setores idealizam "verdadeiramente não existiu, é um refazer da História". Em concreto, Marcelo lembrou o isolamento internacional de Portugal devido à guerra colonial, considerando que os 13 anos de conflito atribuíram aos soldados "missões que não tinham futuro político".

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De seguida, o chefe de Estado considerou legítimo que vários sectores, da esquerda à direita, olhem para o 25 de Abril como algo "imperfeito" e "frustrante", já que os "sonhos" e "aspirações" de muitos não se realizaram.

O chefe de Estado referiu aquela que, no seu entender, é a grande vantagem da democracia: ao passo que, "em ditadura, ou se está pela ditadura ou se combate a ditadura", no caso da democracia é sempre possível criar "caminhos diversos" - que, sublinhou, podem demorar mas "existiram sempre, ao longo destes 50 anos".

"Esse pluralismo é crucial. Faz parte da essência da democracia e, em ditadura, nunca haveria", rematou Marcelo, acrescentando que, em democracia, o povo é o "efetivo garante da estabilidade".

O presidente abordou também a sessão com Lula no Parlamento. Considerou que ela "faz todo o sentido", uma vez que "o 25 de Abril começou por existir por causa da descolonização" e que o Brasil "foi pioneiro" desse processo, logo em 1822. Num recado indireto - e muito aplaudido - ao Chega, Marcelo sublinhou ainda que Lula foi eleito pelos brasileiros e não por "partes menores de outros povos".

O Presidente da República terminou o discurso lembrando que o seu avô emigrou, no século XIX, para fugir à miséria então reinante no Minho. O episódio serviu para argumentar que um país como Portugal não pode agora "ser egoísta" para os imigrantes que recebe. Esta observação final mereceu muitas palmas de quase todas as bancadas.

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